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Autoestima e o Direito de Sonhar: A Reconquista da Mulher Preta
21 de agosto de 2025
Autoestima e o Direito de Sonhar: A Reconquista da Mulher Preta

Autoestima e o Direito de Sonhar: A Reconquista da Mulher Preta
 
Trabalhar a autoestima da mulher preta não é vaidade.
É sobrevivência. É cura. É revolução.
 
Durante séculos, nós, mulheres pretas, fomos obrigadas a ser guerreiras.
Não por escolha, mas por necessidade.
 
Fomos empurradas para a linha de frente da vida — para sustentar casas, criar filhos sozinhas, enfrentar o mundo com o peito aberto e a alma calejada.
Assumimos o papel de coluna de tudo, muitas vezes esquecendo de cuidar de nós mesmas.
 
Para garantir o próprio sustento, muitas de nós precisaram abrir mão da feminilidade.
Desenvolvemos uma força que veio da dor — da ausência, da solidão, da luta diária por respeito e dignidade.
 
Essa força, embora necessária, também nos endureceu.
Nos afastou do prazer, do autocuidado, do direito de sermos suaves, vaidosas, sensíveis.
 
A Luta Pelo Simples Direito de Ser
 
Precisamos ser fortes até para usar o cabelo do jeito que queremos.
Crespo, black, trançado, raspado, natural ou alisado — cada escolha é um ato político, um enfrentamento.
Ser quem somos, em nossa estética e identidade, exige coragem todos os dias.
 
Ser uma mulher preta, bonita e confiante incomoda.
Nos julgam. Tentam nos podar. Tentam nos silenciar.
E por isso, mais do que nunca, precisamos fortalecer nossa autoestima.
 
Para que os olhares tortos não nos façam abaixar a cabeça.
Para que o racismo não nos paralise.
Para que os padrões impostos não ditem nosso valor.
 
Fortalecer-se Internamente para Não Ser Paralisada
 
Trabalhar a autoestima da mulher preta é desenvolver uma força interna que não seja apenas uma reação à dor, mas uma escolha consciente de quem somos.
 
Porque, sim, o racismo ainda está aí. Mas quando a mulher preta se fortalece de dentro pra fora, ele não a paralisa. Ele não a cala. Ele não quebra sua autoestima.
 
Pelo contrário: essa força permite que ela olhe nos olhos do preconceito — e continue andando.
Criando. Produzindo. Sonhando. E, principalmente, se permitindo SER.
 
Quando Até Sonhar Nos Foi Negado
 
Sonhar, para muitas pessoas, é natural.
Para a mulher preta, sempre foi um ato de coragem.
 
Durante gerações, não nos foi permitido sonhar.
A nós foi imposto apenas sobreviver.
Enquanto outras podiam escolher caminhos, nós éramos empurradas para a luta diária pela existência.
 
A história nos colocou no papel de resolver, cuidar, sustentar e resistir.
E, nesse processo, fomos ensinadas que desejar mais era “querer demais”.
Que sonhar era luxo.
Que nosso papel era “agradecer pelo pouco”.
 
Nos tiraram o tempo para imaginar o futuro.
Nos tiraram a energia, drenada pelo trabalho e pela responsabilidade.
Nos tiraram a confiança, tentando nos convencer de que o mundo não tinha lugar para nós.
E, quando ousávamos sonhar, o racismo e o machismo se uniam para tentar cortar nossas asas antes mesmo do voo.
 
Recuperar o Direito de Sonhar é se Curar
 
Sonhar é vital.
Sonhar é planejar o que ainda não existe.
É se ver além das condições atuais.
É desenhar um amanhã que respeita quem somos e o que merecemos.
 
Quando a mulher preta se permite sonhar, ela se reconecta com uma força que não vem apenas da resistência, mas da criação.
Ela deixa de viver só para apagar incêndios e passa a construir estradas.
 
Sonhar é o que nos faz levantar pela manhã com brilho nos olhos, e não apenas com o peso das obrigações.
 
Sonhar é Também um Ato Político
 
Para a mulher preta, sonhar é se insurgir contra uma história que tentou nos colocar no lugar da escassez.
É dizer:
“Eu tenho direito a querer mais.”
“Eu tenho direito a descansar.”
“Eu tenho direito ao amor, ao sucesso, à beleza e à paz.”
 
Cada vez que uma mulher preta sonha, ela desafia um sistema que tenta convencê-la de que não pode.
E cada vez que ela realiza, abre caminho para outras acreditarem também.
 
Feminilidade com Liberdade
 
Essa caminhada de fortalecimento permite que a mulher preta se reconecte com sua energia feminina — aquela que foi deixada de lado por tanto tempo para garantir a sobrevivência.
 
Ela se permite ser feminina sem perder sua força.
Se permite descansar sem se sentir culpada.
Se permite sentir prazer, se cuidar, se amar, brilhar.
 
Feminilidade não é fragilidade.
É poder em forma de sutileza.
É beleza que resiste.
É corpo que dança.
É alma que floresce.
 
Autoestima e Sonhos: Raiz e Asas
 
Autoestima é base.
É a raiz que sustenta.
Sonhos são asas
São o que nos leva para além das fronteiras impostas.
 
E nós, mulheres pretas, merecemos ambas.
Porque não estamos aqui apenas para sobreviver.
Estamos aqui para florescer, ocupar, criar e deixar um legado que diga às próximas gerações:
“Sonhar é nosso direito. Ser é nossa vitória.”


Por Erika Realize
Psicoterapeuta e Educadora
CEO do Espaço Realize 7